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Microplásticos. O que são?


Nas últimas décadas a poluição marinha por plásticos tem vindo a ser uma ameaça crescente para a vida marinha.

Desde 1950 a produção mundial de plásticos tem vindo a aumentar. Em 2013 foram produzidas cerca de 300 milhões de toneladas de plásticos. O maior produtor mundial é a China (apenas termoplásticos e poliuretanos) com cerca de 28%, seguido pela Europa com aproximadamente 19%  da produção mundial. O setor das embalagens é o maior utilizador com cerca de 40% seguindo-se o grupo dos "outros" (produtos de uso doméstico, mobiliário, desporto, saúde e segurança, etc.) com cerca de 22% e o setor da construção com aproximadamente 20%. Em 2014, o encaminhamento para aterro era ainda o promeiro destino do resíduo de plástico para muitos países da União Europeia. Apesar das campanhas de sensibilização para redução de uso de plástico a produção continua a aumentar e a crescer da ordem de 1,5% ao ano (PlasticsEurope, 2016).

Os plásticos agregam mais de 20 famílias de polímeros entre as quais polietileno (PE), polipropileno (PP), policloreto de vinilo (PVC), poliuretano (PUR), poliestireno (PS) e poliamida (PA) que representam cerca de 90% do total da produção mundial. Para além do polímero principal, os plásticos contém uma série de aditivos para melhorar as propriedades dos produtos tais como: ductilidade, dureza, durabilidade ou resistência ao clima. Relativamente a alguns destes aditivos especialmente certos plastificantes, existem já estudos que indiciam  de que são desreguladores endócrinos para animais e para os seres humanos. Todos os anos, uma parte muito significativa dos plásticos da indústria e dos consumidores são libertados no ambiente, estimando-se que cerca de 10% dos plásticos produzidos terminem nos oceanos e mares.

Em menos de um século de existência os detritos de plástico já representam cerca de 60 a 80% do lixo marinho dependendo da localização. Uma vez no ambiente, macro detritos sofrem degradação mecânica (erosão, abrasão), química (foto-oxidação, temperatura, corrosão) e biológica (degradação por micro organismos). A fragmentação do plástico é considerado ser um processo infinito e que pode continuar até ao nível molecular podendo levar à formação contínua de micro plásticos e até nano partículas de plástico (partículas com dimensão inferior a 1 µm), no ambiente.

Tem vasta aceitação entre a comunidade científica a definição de MACRO LIXO como o lixo de dimensão superior a 25 mm, sendo o termo MICRO LIXO baseado na definição de micro plástico, como partículas de plástico com dimensão inferior a 5 mm. A gama de dimensões variáveis entre 5 mm e 25 mm são designadas como MESO LIXO.

A composição de micro e macro plástico difere devido a diferenças de eficiência da degradação e origens dos vários polímeros. Amostras de lixo flutuante (lixo à superfície dos oceanos) são maioritariamente constituídas por polipropileno, polietileno e esferovite (poliestireno expandido), bem como poliestireno (não expandido), policloreto de vinilo (PVC) e poliéster (PET), (Andrady, 2015). Este último é mais denso do que a água do mar e sedimenta no fundo.

A presença de plásticos e micro plásticos no ambiente aquático é um assunto de preocupação. Há uma evidência crescente de que os organismos marinhos em todos os níveis da cadeia alimentar ingerem partículas de plásticos que desta forma entram na cadeia alimentar. A prevenção na origem é um aspeto crucial para enfrentar o desafio da poluição causada pelo plástico.

Os microplásticos (MP) podem ter origem em 2 fontes:
• MPs primários (via direta), em que se incluem os abrasivos industriais para limpeza de navios e aeronaves e os usados nas limpezas domésticas, produtos de higiene pessoal (esfoliantes corporais, pasta dentífrica, creme de barbear, gel de limpeza), cosméticos e matéria-prima da indústria dos plásticos, “pellets” (pastilhas de resina), pó de resina virgem ou reciclada;
• MPs secundários (via indireta), fragmentos de plástico, que resultam da degradação física, química e biológica de detritos de plástico de maiores dimensões.

É também do conhecimento geral que as fontes mais prováveis que contribuem para a entrada de pequenos fragmentos de plástico no oceano são as praias porque os detritos plásticos deixados nas praias rapidamente sofrem degradação por foto-oxidação graças à exposição à radiação ultravioleta do sol e ao calor da areia (Andrady, 2011), para além disso as partículas plásticas produzidas em terra que vão para o esgoto não são retidas nas estações de tratamento de águas residuais, indo parar aos cursos de água, sendo transportados para o mar.